Arquivo da Categoria "Dissertações"

MODOS DE REGISTRAR A EXPERIÊNCIA PEDAGÓGICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: NARRATIVAS DOCENTES

Postado por Coordenação FIAR em 20/dez/2025 - Sem Comentários

Autora: Miriam Nogueira de Maltos. Acesse aqui

Palavras-chave: Registro, Documentação Pedagógica, Educação Infantil, Práticas Docentes, Narrativas autobiográficas, Documentação

Resumo: Desenvolvida no âmbito da Linha de pesquisa Linguagem, Cultura e Processos Formativos (LCPF), no Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense, e vinculada ao Círculo de Estudo e Pesquisa Formação de Professores, Infância e Arte (FIAR), a pesquisa propõe o encontro-diálogo com professoras de Educação Infantil sobre o registro da prática pedagógica. O registro e a documentação pedagógica, conceitos basilares da fundamentação teórica e da interpretação dos dados da pesquisa, são estudados na perspectiva de sua compreensão aprofundada, cotejando referenciais nacionais e internacionais (Reggio-Children, 2021; Edwards; Gandini; Forman, 1999; Freire, 2023; Warschauer, 2017; Ostetto, 2018). Considerando o encontro como espaço polifônico, que fertiliza tempos de rememoração, reflexão e avaliação sobre a jornada de vida-formação-prática docente, tomou-se a entrevista narrativa (Jovchelovitch; Bauer, 2002) como inspiração para criar um lócus de compartilhamento de experiências e produção de relatos (auto)biográficos, tentando superar o esquema pergunta-resposta de entrevistas clássicas. As questões que impulsionaram a investigação – Como as professoras concebem e praticam o registro, na dinamicidade institucional? Qual o tempo-espaço que possuem para registrar? Onde aprenderam a registrar? O que dizem sobre registro e documentação pedagógica? -, pautaram os encontros, configurados no marco teórico-metodológico da pesquisa narrativa (auto)biográfica (Delory-Momberger, 2012; Josso, 2004; 2007; 2014 e 2009; Ostetto; Kolb-Bernardes, 2015; Passeggi, 2008; entre outros). Neste marco, a ação de dialogar com as professoras de Educação Infantil também mobilizou a pesquisadora a partilhar seus percursos como docente que faz do registro uma possibilidade de tecer memória e história. Desta maneira, o material (auto)biográfico foi (a)colhido por meio da abertura à escuta sensível (Rinaldi, 2016) das experiências – da pesquisadora e de outras duas professoras, que participaram das entrevistas narrativas. Realizadas em momentos e lugares distintos com cada uma das participantes, as entrevistas foram gravadas, transcritas e textualizadas. A leitura atenta, pausada e cuidadosa das narrativas, permitiu o aprofundamento e refinamento do olhar em repetidos processos de releitura, tal como indicado na base teórico-metodológica assumida. Assim, buscou-se tecer diálogos pelas vias interpretativas, para capturar sentidos, mapear caminhos trilhados com o registro no cotidiano educativo e dar a conhecer concepções e modos próprios de registrar. As experiências das professoras lançam luzes para as tipologias de registros que são produzidos no chão da escola e deixam ver que a formação inicial pouco contribuiu para a aprendizagem deste instrumento da prática docente. Indicam que há o desejo de refinar suas práticas no caminho mais sensível do pensar e do fazer, mas são raras as oportunidades de formação no próprio local de trabalho: buscam cursos e formações por conta própria, muitas vezes tendo que investir monetariamente. Das concepções vislumbradas, nota-se a preponderância do registro, pouco se fala de documentação pedagógica: registram na intenção de deixar marcado o que viveram em um dia, uma brincadeira, um acontecimento, uma proposta, uma história inventada. Como um testemunho visual destas vivências, os registros também são materialidades para a comunicação com as famílias, a escola e a comunidade escolar. Todavia, se as narrativas contam da percepção sobre a necessidade da observação, do registro e da reflexão sobre a ação pedagógica e as crianças, também denunciam que, dentro da escola, não há tempo para isso.

CAMINHAR É ENCONTRAR: INVENTÁRIO POÉTICO DA FORMAÇÃO ESTÉTICA PELA PERIFERIA DA ZONA LESTE PAULISTANA

Postado por Coordenação FIAR em 20/dez/2025 - Sem Comentários

Autora: Laís Vilela Gomes. Acesse aqui

Palavras-chave: Formação estética docente, Território educativo-cultural, Narrativas autobiográficas, Educação Infantil, Caminhar, Narrativa, Formação de professor

Resumo: Esta pesquisa-caminhante atravessa o território educativo-cultural da periferia da zona leste paulistana, para buscar-encontrar vestígios da formação estética docente, sobretudo relacionada à Educação Infantil. Desenvolvida no âmbito da Linha de pesquisa Linguagem, Cultura e Processos Formativos, do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense, e vinculada ao FIAR – Círculo de Estudo e Pesquisa Formação de Professores, Infância e Arte, teve por objetivo (re)conhecer elementos para um projeto de formação docente, a partir de um inventário de experiências estéticas da autora, vividas nos caminhos percorridos – como moradora, professora de Educação Infantil e coordenadora pedagógica – pelo território educativo-cultural da zona leste de São Paulo. Pelas trilhas das escritas de si, com os fundamentos das abordagens narrativas (auto)biográficas (Josso, 2007; 2010; Passeggi, 2010; Bragança, 2016) e do caminhar como ato estético (Labbucci, 2013), a pesquisa se fez em diálogo com a cidade. Com a periferia da cidade (D’Andrea, 2013) – seus cheiros, suas cores, seus sons, suas existências e (re)existências, sua vida. O ato de vasculhar os (guar)dados, matéria da memória – registros escritos, peças audiovisuais e fotografias de experiências compartilhadas com crianças e professoras da EMEI Professora Doraci dos Santos Ramos, no bairro da Cidade Tiradentes, entre 2015 até o início de 2021 -, fundou e sustentou a caminhada ao (re)encontro com a periferia. O caminhar, assumido também como dispositivo metodológico, se deu por meio de três passos-andarilhos: 1º Passo-andarilho: andanças, por vias da memória; 2º Passo-andarilho: compor um inventário poético de experiências estéticas vividas no território; 3º Passo-andarilho: (re)conhecer elementos para um projeto de formação estética docente. Depois de caminhar por veredas físicas e da memória e de inventariar poeticamente os (guar)dados – utilizando linguagens múltiplas, em especial fotografias, consideradas pensamento visual (Roldán, 2019; Egas, 2018) -, muitos espaços foram encontrados: o Centro de Assistência Social São Clemente; a Biblioteca Comunitária Solano Trindade; a Casa de Cultura Hip Hop Leste; o Centro de Referência de promoção da igualdade racial; praças, campo de futebol, vielas; um parquinho escondido com galinhas, a chácara de um comerciante no bairro com árvores frutíferas e flores. Rememorar, narrar e refletir sobre as experiências vividas, permitiu (re)conhecer que a periferia (re)existe com gente; homens, mulheres e crianças que, por meio da Arte, da Cultura e da Educação, constituem o que concebo como território educativo-cultural. Um território que pode contribuir para um projeto de formação estética docente, quando compreendemos a formação como relação: relação de cada docente consigo, com os outros, com o mundo. Uma relação que se faz passo a passo, no deslocamento: caminhando – com sentidos abertos, para desabituar olhares e criar oportunidade para diferentes encontros; caminhando – para ativar sentidos, descobrir e contemplar belezas que (re)existem nas brechas da periferia. A pesquisa afirma que é preciso caminhar para poder ver – e encontrar – o que está fora dos muros da escola, e se firma como uma atitude comprometida com tantas outras professoras que vivem a educação pública na periferia de São Paulo, especialmente as do fundão da Zona Leste.

ARTE, PEDAGOGIA E FORMAÇÃO DOCENTE: NARRATIVAS E TRAVESSIAS

Postado por Coordenação FIAR em 20/dez/2025 - Sem Comentários

Autora: Kamilla da SIlva Cunha. Acesse aqui

Palavras-chave: Pedagogia e Arte, Formação Estética Docente, Narrativas, Curso de Pedagogia, Pedagogia, Arte, Formação docente

Resumo: Como um chamado à travessia, a pesquisa de mestrado, fiada na Linha de Pesquisa “Linguagem, Cultura e Processos Formativos” do PPGEdu/UFF, trilha caminhos em busca de entrelaçamentos possíveis entre os cursos de Pedagogia e a arte. Tendo como ponto de partida a falta da arte localizada na trajetória escolar da pesquisadora e considerando os estudos que sinalizam essa falta nos cursos de formação docente, em âmbito nacional, o objetivo do trabalho é (re)conhecer oportunidades de formação artístico-culturais na travessia curricular de ex-estudantes do curso de Pedagogia da Universidade Federal Fluminense. Por meio de narrativas autobiográficas, busca perscrutar caminhos de formação estética singulares-plurais e, assim, as abordagens autobiográficas (Josso, 2004; Passeggi, 2008; Delory-Momberger, 2012) sustentam o quadro teórico-metodológico. Tecida com temas que atravessam teorias e práticas, memórias e experiências, arte e pedagogia, a pesquisa realiza um mapeamento de experiências de ex- estudantes de Pedagogia, consideradas significativas no desenvolvimento da formação estética, e que se constituíram como oportunidades de alargamento das sensibilidades. No emaranhar das narrativas, a pesquisa tem como base o diálogo, puxando os fios que convergem entre as experiências para a composição de análise a partir de três chaves de leitura que indicam os tempos, lugares e acontecimentos da dimensão estética no curso de Pedagogia, o alargamento das sensibilidades e as reverberações – no curso, na profissão e na vida. Entre narrativas e travessias, é possível localizar tempos e espaços que convidam o fazer artístico, a ampliação de sentidos, o contato com a natureza, a experiência nos museus e equipamentos culturais no currículo praticado no curso de Pedagogia em questão. No entanto, na composição do diálogo, é possível indicar a fragilidade dessas propostas de forma intencional no desenho curricular do curso e a necessidade de ampliar as possibilidades de um outro fazer na formação docente, na Pedagogia. As narrativas mostraram faltas e possibilidades, o gostoso e o desgostoso, momentos em que o coração palpita e outros em que fica adormecido. Nos caminhos de formação estética de ex-estudantes da Pedagogia, há danças, museus, bordados, pessoas, literatura, obras de arte, filmes, teatro, experiências que ecoam, produzindo movimentos, chamando partes anestesiadas do ser para a vida. Sinalizam um (per)curso por onde poderiam correr, para serem potencializadas, propostas de formação estética na universidade.

ENTRE PROSAS, GUARDADOS DE MEMÓRIA E EXPERIÊNCIAS DOCENTES: EDUCAÇÃO PARA AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NA CRECHE

Postado por Coordenação FIAR em 20/dez/2025 - Sem Comentários

Autora: Maria Helena Dantas dos Santos Neves. Acesse aqui

Palavras-chave: ERER e bebes, Prática docente, Dimensão estética, Educação Infantil, Creche, Formação de professor, Arte

Resumo: Traçada na Linha de pesquisa Linguagem, cultura e processos formativos e no Círculo de estudo e pesquisa Formação de professores, Infância e Arte (FIAR), do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense, esta pesquisa tem (im)pulso na minha história de mulher negra, professora das infâncias, e no compromisso com uma Educação Infantil inclusiva e lúdica, que valorize a diversidade. Algumas inquietações impulsionaram a busca: o que narram professoras da Educação Infantil sobre suas práticas frente às questões étnico-raciais? Que acontecimentos e experiências destacam como positivos em seus fazeres com as crianças, na produção/vivência de uma educação estética antirracista? Essas questões foram articuladas ao objetivo de mapear possibilidades de trabalho com a educação para as relações étnico-raciais (ERER), em grupos de bebês na Educação Infantil, conversando com professoras e analisando implicações e ressonâncias da articulação com a dimensão estética. A investigação, que toma como base os aportes teórico-metodológicos das abordagens (auto) biográficas e segue pelas trilhas da conversa como dispositivo de produção de dados, fez-se em três encontros com duas professoras de um Centro de Educação Infantil da Rede pública municipal de São Paulo. Para avivar os encontros-conversas, realizados na própria unidade em que atuam as professoras, foram desenhados três movimentos, de modo que a prosa pudesse fluir sem amarras, mas com intencionalidade: 1) Apresentar-se, com a mediação de cartões postais com obras de artistas negros e negras, visando suscitar primeiras narrativas sobre o trabalho com ERER no berçário; 2) Compartilhar três itens representativos, reveladores do trabalho com a diversidade na sala em que atuam; 3) Partilhar percepções sobre a sala de referência, por meio de fotografias. Os encontros foram gravados, transcritos e textualizados. Como uma continuidade das conversas, foram puxados três fios interpretativos, como chaves de leitura das narrativas: 1) Infâncias e marcas do racismo; 2) Prática docente: passos para uma educação antirracista; 3) Formação docente e dimensão estética. Pelas veredas da sensibilidade, alteridade e dialogicidade, juntando e vivificando vozes-professoras, abriram-se pontos-fios sobre aspectos que necessitam ser (desa)fiados nos contextos da prática docente para (con)fiar a educação para as relações étnio-raciais: entre presenças e ausências de materialidades que possibilitem e fortaleçam o sentimento de pertencimento, de identidade e representatividade das crianças, desde os bebês, negros e negras, as professoras reconhecem que os espaços-ambientes atuam como parceiros na ação pedagógica antirracista; na narrativa das suas histórias, as marcas do racismo velado e explícito, presente no cotidiano, seja dentro ou fora do CEI, foram identificadas e nomeadas; como possibilidades relativas à ERER na Educação Infantil, apontaram a importância do coletivo para o enfrentamento de temas, questões e situações cotidianas, de modo a construir uma educação antirracista; ainda, a formação continuada foi indicada como via potencial para a ampliação dos repertórios docentes, referenciados nas culturas africanas e afro-brasileiras. A dimensão estética é reafirmada: no encontro com a arte, experimentando, vivenciando, maravilhando-se, professores amplificam seus pensares-fazeres, na direção de garantir o enaltecimento da diversidade desde a primeira infância.

PROFESSORAS, CRIANÇAS E NATUREZA: NARRATIVAS DOCENTES DA/NA PANDEMIA

Postado por Coordenação FIAR em 20/dez/2025 - Sem Comentários

Autora: Amanda Lobosco Pinto. Acesse aqui

Palavras-chave: Criança e Natureza; Pandemia; Narrativas autobiográficas docentes; Educação Infantil

Resumo: Como garantir às crianças o contato com a natureza, que é seu direito? Como oportunizar experiências em liberdade, em espaços abertos? Entre a criança e a natureza, certamente há um adulto, que possibilita ou impede sua experiência. No caso da Educação Infantil, o que as professoras teriam a contar, sobre organizar tempos, espaços e experiências junto à natureza, com as crianças, em tempos pandêmicos? Na trilha desses questionamentos, seguiu a pesquisa de mestrado, desenvolvida na Linha de Pesquisa Linguagem, Cultura e Processos Formativos, do PPGEdu da Universidade Federal Fluminense – UFF. O objetivo geral foi mapear experiências de professoras da Educação Infantil pública do município de Niterói, que aproximam crianças e natureza, no contexto da pandemia de covid-19, a partir de suas narrativas. Considerando a importância das narrativas docentes, como fios que tecem a partilha de suas experiências, o diálogo com os pressupostos da pesquisa narrativa, no âmbito das abordagens autobiográficas (Bragança, 2008; Josso, 1999; 2010; Nóvoa, 2009) fundamentou o percurso teórico-metodológico. Tendo em vista o contexto pandêmico, cujos protocolos sanitários impunham o distanciamento físico, a produção de dados foi viabilizada por meio de “conversas pelas janelas virtuais” (Mello, 2021), com professoras de Educação Infantil da Rede Pública de Niterói/RJ. As conversas foram gravadas, transcritas, apresentadas às participantes e, com sua concordância, textualizadas para comporem a dissertação. As narrativas falam da relação com a natureza – nas memórias de infância, na vida pessoal e profissional, na pandemia, com as crianças, na Educação Infantil -, e são apresentadas em conjuntos de pequenas histórias, cuja forma é inspirada nas mônadas de Benjamin (1987). O diálogo com a matéria viva das narrativas lançou luzes para a relação criança, professoras e natureza na pandemia: novas formas de aproximação, entre a escola e as crianças, foram pensadas e experimentadas – na virtualidade, partilhando paisagens e elementos naturais, como os bichos do sítio e as vagens do feijão, por meio de vídeos produzidos e videochamadas; como um ato de resistência e de desobediência pedagógica, a cidade, a praça, o parque, cada cantinho ao ar livre da escola, foram tomados como lugares fundamentais para garantir o direito das crianças à convivência. As experiências de professoras que inserem a natureza como temática e como vivência em seu cotidiano, ousando sair dos muros escolares, guiadas pela consciência da cultura pelo bem viver com o corpo e mente em desejo, alegria e liberdade, são inspiração. Afirmar um modo de convívio amoroso, fundamentado na ética do cuidado, que concebe o ser humano como parte da natureza, é confiar na invenção de outras educações, desfazendo os entraves conceituais e práticos que separam natureza e vida, vida e educação, criança e natureza, docência e experiência.

ARTE, INFÂNCIA E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: NARRATIVAS DE PROFESSORAS DE ARTE

Postado por Coordenação FIAR em 16/maio/2023 - Sem Comentários

LIRA, Iasmim Cavalcanti Caballero . Arte, infância e práticas pedagógicas na Educação Infantil: narrativas de professoras de Arte. 2021. 172f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2021.

RESUMO:

Minha prática como professora de Arte e as diversas inquietações advindas do contato com as crianças pequenas me impuseram a necessidade de ampliar conceitos e práticas envolvidos no trabalho com arte na Educação Infantil, pois as especificidades dessa etapa educacional demandam conhecimentos que não estão presentes no currículo de licenciatura em Arte. Observando as crianças, atentando para os modos próprios de se expressarem e avaliando as propostas que eu lhes oferecia, fui provocada a refletir sobre outras formas de equacionar educação, arte e infância, perguntando-me: quais as relações possíveis entre Arte e Pedagogia? O que define os papéis do professor de referência de um grupo e o professor de arte? O que os aproxima e/ou distancia? A pesquisa foi conduzida a partir desses contextos e dessas questões. Para desenvolvê-la, realizei um levantamento das produções sobre o tema, analisando os trabalhos apresentados nas reuniões nacionais de duas associações de pesquisa, uma de Educação e outra de Arte: Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED) e Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas (ANPAP), e também fui ao encontro de professoras de arte, para ouvir suas narrativas sobre concepções e práticas na Educação Infantil. A partir de minhas memórias de formação, articulo questões apontadas por colegas professores de arte (com os quais tive contato através de um fórum virtual em um curso de Especialização em Ensino de Artes Visuais) e prossigo, no diálogo com autoras do campo da Arte e da Pedagogia (tais como Albano, Ostetto, Rangel, Holm, Vecchi), para, então, estabelecer um campo de significados sobre a temática e sustentar teoricamente a pesquisa. Considerando o contexto de isolamento físico, imposto pela pandemia causada pelo novo coronavírus, para a produção de dados utilizei-me do dispositivo “conversa virtual”. Em busca de narrativas que acolhessem dados experienciais sobre concepções e práticas docentes com arte na infância, conversei, em um encontro coletivo via plataforma digital, com seis professoras com formação em Arte que atuam ou atuaram na Educação Infantil. O encontro foi gravado, seu conteúdo transcrito e as narrativas docentes foram textualizadas. A partir de chaves de leituras, constituídas no exercício de percorrer atentamente as narrativas, foram identificados temas que possibilitaram compor um diálogo com as questões da pesquisa: “concepção de criança”, “estar juntos: princípio pedagógico”, “materiais e suportes”, “arte com os maiores”, “produtos e exposições”, “processos e experiências”, “expectativas x realidade” “relação professores(as) de arte/pedagogos(as)” e “professores(as) de arte na Educação Infantil”. Destaco, nas reflexões, questionamentos e vislumbres de caminhos para um diálogo mais coerente entre os campos da Arte e da Educação Infantil.

PALAVRAS-CHAVE: Arte na Educação Infantil, Docência em arte na educação infantil, Formação estética, ateliê, Arte e Pedagogia

NO ÁLBUM DA MEMÓRIA: A CIDADE, A INFÂNCIA DE PROFESSORAS E A FORMAÇÃO ESTÉTICA

Postado por Coordenação FIAR em 16/maio/2023 - Sem Comentários

MELLO, Graziela Ferreira de. No álbum da memória: a cidade, a infância de professoras e a formação estética. 2021. 174f. Dissertação (Mestrado em Educação)- Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2021.

RESUMO:

Na legislação da Educação Infantil, os princípios estéticos figuram como diretrizes para a elaboração das propostas pedagógicas em creches e pré-escolas. Sendo assim, pensar a formação estética de professores que trabalham com as infâncias é uma demanda importante. A presente pesquisa pretende contribuir para a discussão sobre tal formação: ao tomar a cidade como campo de formação estética, investiga como o contato com os espaços da cidade em que um grupo de professoras cresceu, atuou em sua percepção e formação. Que espaços da cidade frequentavam quando crianças? Os equipamentos culturais e artísticos foram presentes em seus percursos? Que relações e experiências vividas com/na cidade consideram importantes para a formação de sua sensibilidade estética? A partir das memórias da autora com a sua cidade, atravessadas por imagens fotográficas capturadas pelas lentes de seu avô, a pesquisa vai em busca de narrativas docentes, para colocar em diálogo essas experiências e ampliar seus sentidos na jornada de formação. Com o aporte teórico-metodológico das abordagens (auto)biográficas e narrativas, os dados foram produzidos por meio de encontros com cinco professoras de Educação Infantil que atuam na cidade de Niterói/RJ e que passaram suas infâncias nesta cidade. Os encontros, marcados pela reinvenção, imposta pelos tempos pandêmicos que atravessamos, configuraram-se como conversas pelas janelas virtuais: para escutar as histórias de infância com/na cidade, as conversas foram realizadas via plataforma digital, em momentos diferentes, com cada uma das professoras. Buscou-se amplificar possibilidades de rememoração e narrativas de si por meio de imagens fotográficas da cidade e/ou das participantes na cidade. Gravadas e posteriormente transcritas, as conversas foram textualizadas e, inspiradas na escrita benjaminiana, principalmente no conjunto de textos Infância em Berlim por volta de 1900, foram organizadas em fragmentos de narrativas, pequenas crônicas. As histórias com/na cidade, capturadas na leitura atenta das narrativas partilhadas, foram entrelaçadas, constituindo fios de sentidos que revelam percursos de formação estética atravessados por diferentes espaços (de arte, de cultura ou junto à natureza), intimamente relacionados aos grupos de convívio a que pertencem e às suas práticas sociais, como frequentar um clube, brincar o Carnaval, participar de manifestações populares, ir à praia e a parques públicos.

PALAVRAS-CHAVE: Formação estética na cidade, Cidade e memória, Infância e cidade, Formação de Professores, Narrativas Autobiográficas.

O QUE (QUASE) NÃO SE VÊ: OLHARES DE INFÂNCIAS NA NATUREZA

Postado por Coordenação FIAR em 16/maio/2023 - Sem Comentários

NIMRICHTER, Ana Clara. O que (quase) não se vê: olhares de infâncias na natureza. 2020. 142 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2020.

RESUMO:

Onde está a natureza em nossa vida cotidiana? E na vida das crianças? Como as crianças experienciam a natureza? Como seus corpos reverberam ao sentir suas texturas, a descobrir suas infinitas camadas de sentido? Como vivem a relação com os elementos da natureza – folhas, terra, águas, plantas, pedras, estrelas, tudo o que há ao nosso redor? Estas intrigas impulsionaram-me à pesquisa, desejando investigar as relações e as percepções das crianças com e sobre a natureza. Observar como interagem com as áreas verdes disponíveis na instituição que frequentam; capturar seus olhares sobre a natureza revelados em fotografias produzidas por elas no processo de pesquisa; ouvi-las acerca das experiências em ambientes naturais e sobre suas produções fotográficas e, por fim, produzir com as crianças um Diário da Natureza, foram os objetivos traçados que sustentaram a travessia da pesquisa. Para desenvolver os objetivos propostos, contei com a colaboração de cinco crianças, com idades entre os quatro e cinco anos, que frequentavam uma unidade de educação infantil pública federal na cidade de Niterói/RJ. A metodologia fundou-se na pesquisa-intervenção (JOBIM E SOUZA, 2006) e na teoria dialógica (GERALDI, 2012), trazendo atenção às especificidades da pesquisa com crianças (PEREIRA, 2015) e à utilização de fotografias como dispositivo de geração de dados (FRANGELLA, MOTTA, 2013). Observei os tempos em que as crianças estavam nas áreas verdes, disponíveis na instituição, buscando capturar olhares, movimentos, gestos, expressões infantis na natureza, ou seja, perceber formas de interação das crianças com os espaços e os elementos que compunham tais áreas. Fotografias, realizadas com e pelas crianças, as notas de campo e a criação de um Diário da Natureza – um portfólio pessoal, onde os registros fotográficos ganharam vida, na composição com desenhos, pinturas e colagens de elementos naturais – constituíram o conjunto de dados. Além dos conceitos trazidos por pesquisadores que discutem as relações entre infâncias e mundo natural (LOUV, 2016; PIORSKI, 2016,2018; TIRIBA, 2018), a pesquisa buscou inspiração nas infâncias dos povos e comunidades tradicionais indígenas e quilombolas e dialogou com teóricos que propõem uma visão integrada e orgânica do ser humano com o planeta. (BENITES, 2015; KRENAK, 2019; SANTOS, 2016; MARTINS, 2015). A análise do material reunido revelou uma visão de natureza bastante ampla, marcada por um olhar infantil que duvida do óbvio, imagina mundos, ilumina frestas, fiapos e pequenas nuances de luz e sombra. Ao lhes ser proposto que fotografassem a natureza, as crianças não procuraram evidências, mas enxergaram e criaram magia em seus cotidianos, buscando, ao fotografar, enquadrar seus lugares de intimidade e a cumplicidade de rostos queridos: os amigos, os brinquedos, os cantinhos, os espaços afetivos que marcam a memória do corpo e do coração. Fugindo de uma lógica adulta e linear, mostraram o que (quase) não se vê: a natureza está em qualquer lugar – em pessoas, em coisas, em plantas, no que for. Os meninos e a menina participantes da pesquisa mostraram que, na prática, ainda há crianças que se aventuram na natureza e nela encontram o prazer de brincar.

PALAVRAS-CHAVE: infância e natureza; Diário da Natureza; pesquisa com crianças; fotografia, brincadeira; imaginação; experiência estética.

VAGAR SEM PRESSA NO ESCONDERIJO DA VIDA ALADA: EM BUSCA DA ALMA NA EDUCAÇÃO

Postado por Coordenação FIAR em 12/set/2018 - Sem Comentários

SEIXAS, Cristiana Garcez dos Santos. Vagar sem pressa no esconderijo da vida alada: em busca da alma na educação. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal Fluminense. Faculdade de Educação, 2018.

RESUMO:

Pesquisas e estudos que abordam a formação docente mostram que os caminhos e experiências culturais dos professores, vividos fora da escola, são limitados, e são escassos os espaços-tempos para a vivência de conhecimentos da ordem do sensível e do artístico-cultural no seu percurso escolar. Diante da aridez constatada, esta pesquisa parte da questão-incômodo: onde serão cultivadas essas dimensões do conhecimento, inclusive apontadas como necessárias pela legislação, para promover a formação da inteireza do professor?  Tendo por objetivo analisar contribuições de espaços poéticos, simbólicos e expressivos na formação de professores da Educação Infantil, a pesquisa discute potencialidades de narrativas de si engendradas no processo criativo. Para a produção dos dados, foi projetado o “Estúdio do Sensível”, com a participação de oito professoras de Educação Infantil de escolas públicas. Desenvolvido através de dez encontros com duas horas de duração cada, o trabalho privilegiou a utilização de recursos da arteterapia, dança circular, biblioterapia e escrita criativa. Os dados para análise foram produzidos por meio de notas de pesquisa, fotografias e material expressivo criado pelas participantes. Um caderno de ressonâncias das participantes, como espaço de narrativas pessoais, foi proposto como um convite a comporem narrativas e reflexões dos processos vivenciados; alguns trechos de tal caderno, disponibilizados pelas autoras, fazem parte dos dados discutidos. As abordagens (auto)biográficas, das histórias de vida e formação foram apoios teóricos para as discussões sobre formação, memorial e escrita de si. Para dar sustentação ao trabalho com imagens e símbolos, foram utilizados pressupostos teóricometodológicos da psicologia analítica e arquetípica. A pluralidade literária, dimensão ativa na formação da pesquisadora, foi adotada como fio condutor a entrelaçar reflexões e sentidos murmurados. Das narrativas textuais e imagéticas, foram iluminados, pela relevância identificada no contexto, os temas do “erro” e do “silêncio”, os símbolos da “árvore” e “pássaros/asas”, além do arquétipo do Puer. Na análise, o silêncio revelou-se como condição de acesso aos mananciais interiores; o erro, inerente aos processos de aprendizagem, mostrou-se como elemento que precisa ser ressignificado nos percursos docentes; os símbolos da árvore e pássaros/asas, como estruturantes no caminho da individuação, e o Puer, como veículo de resgate da alma, mostraram-se fecundas referências para a formação e a transformação docente. O ninho construído através do formato do “Estúdio do Sensível” poderia inspirar propostas de formação continuada de professores, gerar respiro, sentido e vidas aladas, pois, tanto na forma quanto no conteúdo que fez emergir, mostrou-se como fonte potente para o resgate da alma na educação.

PALAVRAS-CHAVE: Formação de professores. Narrativas (auto)biográficas. Formação estética. Alma. Linguagens expressivas.

ARTE, FORMAÇÃO E DOCÊNCIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: NARRATIVAS DO SENSÍVEL

Postado por Coordenação FIAR em 20/ago/2018 - Sem Comentários

CORRÊA, Carla Andrea. Arte, formação e docência na Educação Infantil: narrativas do sensível. Dissertação (Mestrado em Educação). Programa de Pós-graduação em Educação, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2018.

RESUMO

Identificar e analisar sentidos da formação estética docente, no diálogo com a arte e a educação, é o objetivo geral dessa pesquisa, a qual procurou percorrer caminhos abertos por algumas questões: qual o lugar da sensibilidade na vida de professoras? Qual o lugar da sensibilidade na educação? Qual o lugar da arte na vida de professoras? Qual o lugar da arte na formação de professores? Seguir as indagações formuladas conduziu a pesquisa na direção de um traçado teórico-metodológico baseado nas abordagens (auto) biográficas para, então, (re)conhecer histórias de vida e formação de um grupo de professoras da infância, focando em aspectos que dizem respeito aos seus contatos, saberes e fazeres no campo da arte. Nesse sentido, o material biográfico trabalhado foi composto por um conjunto de narrativas de 24 professoras de Educação Infantil da Rede Municipal de Educação de Macaé/RJ, produzidas a partir da reflexão proposta às participantes: como a arte estava em suas vidas e como gostariam que estivesse. Para traçar um diálogo com as professoras-narradoras a partir da trama de suas memórias, o exercício de uma escuta sensível foi imprescindível e, portanto, mais do que interpretar suas vozes buscou-se identificar tempos, espaços, limites e possibilidades para as experiências constitutivas de suas histórias. Assim, tal como em uma roda de conversa ao pé da árvore, diferentes sujeitos tomam a palavra – a pesquisadora, as professorasnarradoras e os autores que norteiam a base teórica dessa pesquisa.  Na força da palavra, as professoras dizem da família e da escola como mediadoras do contato com suas experiências sensíveis – que nomeiam como contato o artesanato, a fotografia, a dança, o teatro, o museu e a literatura. A família e a escola são apontadas como importantes incentivadores de experiências estéticas, embora esbarrem em limites, como pouco acesso a equipamentos culturais e à arte, seja pela falta de oferta na cidade ou, no caso da escola, pelo fato de restringir o contato com a arte às festividades e trabalhos manuais, com rara variedade de materiais. O contato com a natureza, seja no quintal da casa ou nas paisagens ao redor, aparece também como importante elemento de formação estética, como um espaço de inspiração, meio sensibilizador do olhar, incentivador da imaginação e da criação que chama à beleza. As narrativas docentes indicam que a sensibilidade estética é tocada e cultivada não apenas no encontro com a arte e produções artísticas, mas no encontro com tudo que nos rodeia, a natureza, a cultura, as relações sociais. Estética é o contrário da indiferença e, nesse caminho, arte e natureza podem ser oportunidades de ampliar conexões, na formação e na prática docentes. A importância da formação estética para a docência revela-se como um caminho que potencializa novas formas de pensar, sentir e agir no mundo.

Palavras-chave: Formação estética docente. Arte. Narrativas (auto)biográficas.

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