MODOS DE REGISTRAR A EXPERIÊNCIA PEDAGÓGICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: NARRATIVAS DOCENTES

Postado por Coordenação FIAR em 20/dez/2025 - Sem Comentários

Autora: Miriam Nogueira de Maltos. Acesse aqui

Palavras-chave: Registro, Documentação Pedagógica, Educação Infantil, Práticas Docentes, Narrativas autobiográficas, Documentação

Resumo: Desenvolvida no âmbito da Linha de pesquisa Linguagem, Cultura e Processos Formativos (LCPF), no Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense, e vinculada ao Círculo de Estudo e Pesquisa Formação de Professores, Infância e Arte (FIAR), a pesquisa propõe o encontro-diálogo com professoras de Educação Infantil sobre o registro da prática pedagógica. O registro e a documentação pedagógica, conceitos basilares da fundamentação teórica e da interpretação dos dados da pesquisa, são estudados na perspectiva de sua compreensão aprofundada, cotejando referenciais nacionais e internacionais (Reggio-Children, 2021; Edwards; Gandini; Forman, 1999; Freire, 2023; Warschauer, 2017; Ostetto, 2018). Considerando o encontro como espaço polifônico, que fertiliza tempos de rememoração, reflexão e avaliação sobre a jornada de vida-formação-prática docente, tomou-se a entrevista narrativa (Jovchelovitch; Bauer, 2002) como inspiração para criar um lócus de compartilhamento de experiências e produção de relatos (auto)biográficos, tentando superar o esquema pergunta-resposta de entrevistas clássicas. As questões que impulsionaram a investigação – Como as professoras concebem e praticam o registro, na dinamicidade institucional? Qual o tempo-espaço que possuem para registrar? Onde aprenderam a registrar? O que dizem sobre registro e documentação pedagógica? -, pautaram os encontros, configurados no marco teórico-metodológico da pesquisa narrativa (auto)biográfica (Delory-Momberger, 2012; Josso, 2004; 2007; 2014 e 2009; Ostetto; Kolb-Bernardes, 2015; Passeggi, 2008; entre outros). Neste marco, a ação de dialogar com as professoras de Educação Infantil também mobilizou a pesquisadora a partilhar seus percursos como docente que faz do registro uma possibilidade de tecer memória e história. Desta maneira, o material (auto)biográfico foi (a)colhido por meio da abertura à escuta sensível (Rinaldi, 2016) das experiências – da pesquisadora e de outras duas professoras, que participaram das entrevistas narrativas. Realizadas em momentos e lugares distintos com cada uma das participantes, as entrevistas foram gravadas, transcritas e textualizadas. A leitura atenta, pausada e cuidadosa das narrativas, permitiu o aprofundamento e refinamento do olhar em repetidos processos de releitura, tal como indicado na base teórico-metodológica assumida. Assim, buscou-se tecer diálogos pelas vias interpretativas, para capturar sentidos, mapear caminhos trilhados com o registro no cotidiano educativo e dar a conhecer concepções e modos próprios de registrar. As experiências das professoras lançam luzes para as tipologias de registros que são produzidos no chão da escola e deixam ver que a formação inicial pouco contribuiu para a aprendizagem deste instrumento da prática docente. Indicam que há o desejo de refinar suas práticas no caminho mais sensível do pensar e do fazer, mas são raras as oportunidades de formação no próprio local de trabalho: buscam cursos e formações por conta própria, muitas vezes tendo que investir monetariamente. Das concepções vislumbradas, nota-se a preponderância do registro, pouco se fala de documentação pedagógica: registram na intenção de deixar marcado o que viveram em um dia, uma brincadeira, um acontecimento, uma proposta, uma história inventada. Como um testemunho visual destas vivências, os registros também são materialidades para a comunicação com as famílias, a escola e a comunidade escolar. Todavia, se as narrativas contam da percepção sobre a necessidade da observação, do registro e da reflexão sobre a ação pedagógica e as crianças, também denunciam que, dentro da escola, não há tempo para isso.

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